Dissertação de mestrado sobre balé de corte disponível on line

Baile celeste e harmonia terrestre: o balé de corte como imagem prescritiva da harmonia cósmica e política na França (1610-1661).

Defendida no segundo semestre deste ano, já esta disponível on line na Biblioteca Digital da USP, a dissertação de mestrado de Clara Rodrigues Couto.

Ballet des fées forest Saint Germain
Ballet des Fées de la Forêt de Saint-Germain (1625). Desenho de Daniel Rabel. Museu do Louvre, Departamento de Artes Gráficas, “Cabinet des Dessins”.

Resumo:
Espetáculo cênico, divertimento e ritual cortesão simultaneamente, o balé de corte constituiu-se enquanto gênero de espetáculo em fins do século XVI, revelando-se extremamente popular e recorrente na dinâmica de corte francesa até fins do século XVII. Coerente às aspirações poéticas e artísticas humanistas de reconstituição do drama total grego antigo, o balé de corte propõe realizar a fusão das artes, unindo harmoniosamente poesia, música, canto, dança, pintura, cenários, maquinaria, heráldica, enfim, várias artes e artifícios, num grande espetáculo ao mesmo tempo erudito e agradável, sóbrio e divertido. Nesta complexa composição entremeada de tantas artes, a dança ocupava posição de destaque, como também o baile era atividade importantíssima na sociabilidade de corte. Tal espetáculo era realizado predominantemente no ambiente da corte e em reverência ao rei, contando com a participação efetiva – tanto na elaboração quanto na própria cena – dos cortesãos, damas, príncipes, rainha e do rei, estes que se colocavam em cena, dançando e desempenhando papéis os mais diversos.     Partindo do estudo dos libretos e das relações/descrições de balés de corte produzidos entre 1610 e 1661 na corte francesa, propõe-se compreender como tal gênero se constrói enquanto representação prescritiva do poder no contexto do Antigo Regime baseado na noção alegórica de “harmonia”. Assim, investiga-se em que medida o gênero e as composições analisadas constroem alegoricamente uma imagem de harmonia cósmica e política e, a partir de suas linguagens e recursos próprios, de que maneira colabora para reforçar modos de pensar, ser e agir cortesãos, bem como valores morais e pactos políticos que mantêm (artificialmente) o corpo social em ordem.

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